quinta-feira, 20 de abril de 2017

O partido de Lênin era pouco “leninista”

O historiador britânico Alexander Rabinowitch escreveu vários livros contando a história da Revolução Russa. Um deles é “The Bolsheviks Come to Power” (“Os Bolcheviques Tomam o Poder”), ainda sem tradução. Um dos trechos da obra afirma o seguinte em relação ao Partido Bolchevique:

...gostaria de enfatizar a estrutura e o método de operação internamente relativamente democráticos, tolerantes e descentralizados do partido, bem como seu caráter essencialmente aberto e de massas - em marcante contraste com o modelo leninista tradicional.

Em outro momento, diz:

... em 1917, em todos os níveis da organização bolchevique de Petrogrado, a discussão era livre e animada no debate sobre as questões teóricas e táticas mais básicas. (...) não poucas vezes Lênin foi derrotado nesses debates.

Ou seja, o historiador está dizendo que aquele que é considerado o partido leninista por excelência não era assim tão leninista. Na verdade, nem Lênin era.

O livro “O que fazer”, de Lênin, é considerado a “receita” do partido leninista. Mas a obra é de 1902, quando as condições para a militância eram as piores possíveis. Depois da Revolução de 1905, a situação melhorou e Lênin escreveu uma resolução para o 3º Congresso do Partido afirmando que "em condições políticas de liberdade, nosso partido pode e deve refazer inteiramente as regras de funcionamento...". E foi mais ou menos isso que aconteceu.

O mito do partido puramente leninista dirigindo a revolução começou, mesmo, após a chegada dos bolcheviques ao poder. Em especial, com a contrarrevolução stalinista. Mas, isso já é assunto para outro momento. E a obra de Rabinowitch certamente pode nos ajudar a entender esse processo.

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