quinta-feira, 6 de abril de 2017

Contra o racismo, corajosas professoras brancas

Abolida a escravidão no Estados Unidos, os negros logo descobriram que a promessa de que receberiam "quarenta acres e uma mula" não passava de um boato maldoso. Entenderam rapidamente que teriam que lutar pelo que queriam.

E eles sabiam exatamente o que queriam. Além de terras e direito ao voto, eram “consumidos pela vontade de frequentar as escolas”. Depois de séculos, exigiam o direito de satisfazer seu profundo desejo de aprender.

Foi esse anseio que a jovem professora branca, Prudence Crandall, tentou heroicamente atender. Inicialmente, ela desafiou os habitantes brancos de Canterbury, Connecticut, aceitando uma garota negra em sua escola.

Diante dos protestos, Prudence foi além e decidiu aceitar mais meninas negras e, se necessário, administrar uma escola só para elas.

Lojistas se recusaram a vender suprimentos a “Miss Crandall”. O médico não atendia suas alunas. O farmacêutico não fornecia remédios. Criminosos quebraram as janelas da escola, jogaram esterco no poço e iniciaram vários incêndios no prédio.

Além de Prudence, Margaret Douglass e Myrtilla Miner literalmente arriscaram suas vidas enquanto tentavam transmitir conhecimentos a jovens negros.

A história da luta das mulheres pela educação nos Estados Unidos atingiu um verdadeiro pico quando educadoras negras e brancas lideraram juntas a batalha do período pós-Guerra Civil contra o analfabetismo no Sul. Sua unidade e solidariedade são um dos episódios mais bonitos da história do povo estadunidense.

As informações acima estão no livro "Mulheres, raça e classe", de Angela Davis. Mostram que só há liberdade possível se sua busca estiver orientada pela luz de um conhecimento que entenda a humanidade como produto da unidade na diferença.

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