segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Grécia: quando cachaça é eutanásia

Que tal receitar a um doente de cirrose hepática umas boas doses de cachaça? Ou a uma vítima de câncer de pulmão um maço de cigarros?

É isso o que estão fazendo com a Grécia e outros países em crise na Europa. Essas economias estão quebrando porque seguiram à risca as receitas neoliberais do FMI e União Européia. Já acumulam mais de 20 milhões de desempregados. Como saída para a crise a recomendação continua a ser mais doses de medidas neoliberais.

Tudo isso começou com uma crise financeira. Os bancos apostaram e perderam muito dinheiro. Dinheiro, aliás, que nem era deles. Os governos dos Estados Unidos e da Europa cobriram o rombo. Para fazer isso, contraíram dívidas monumentais que seus povos estão pagando. Houve cortes de serviços sociais, direitos de trabalhadores e milhões de postos de trabalho.

Enquanto isso, os banqueiros continuam na farra. A Grécia é uma das economias mais afetadas por esse tratamento suicida. Sua crise vem desde 2008. Na época o governo alemão chegou a sugerir que o país vendesse algumas de suas seis mil ilhas paradisíacas nos mares Mediterrâneo, Jônico e Egeu.

Agora, Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) não chegaram a tanto. Por enquanto só querem a demissão de 100 mil funcionários públicos em quatro anos. Além disso, o fechamento de emissoras de televisão estatais e outras medidas parecidas.

Tem alguma lógica. Afinal, cachaça realmente é bom pra cirrose. Para a cirrose, não para seu portador. No caso grego, são milhões de desempregados e pessoas jogadas na pobreza. Eutanásia neles.

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