quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A insustentável cegueira do FMI

Recente relatório do FMI considera 2011 o “ano dos acontecimentos inesperados”. Entre estes estariam o terremoto que provocou um desastre nuclear no Japão e as revoltas no norte da África. O mesmo vale para a “redução da demanda nos Estados Unidos” e o “aumento da turbulência econômica na Europa”. Tudo isso teria rebaixado as previsões de crescimento da economia mundial para este ano.

Muito estranha a lógica do FMI. Realmente, não havia como prever o tsunami japonês. Mas a construção de dezenas de reatores nucleares num país sujeito a constantes terremotos é uma aposta firme no desastre. Resultado de um modelo que sempre contou com o apoio do FMI.

Quanto às revoltas no mundo árabe, ninguém poderia antecipar data e hora. Por outro lado, as contradições provocadas pela dominação imperialista na região vinham se acumulando perigosamente. E o FMI colaborou em grande medida para esse quadro.

Em relação aos problemas nas economias americana e européia, não faltaram avisos. O fato é que a crise de 2008 não acabou. Suas causas não só permanecem como se fortaleceram. E o FMI faz parte dos que mais contribuíram para que isso acontecesse.

Na edição do Estado de S. Paulo de hoje, 22/09, o jornalista Jamil Chade avisa:
Numa odisseia para atender às exigências do FMI e da UE, o governo da Grécia pune a população com mais impostos, cortes dramáticos de salários, demissões e anuncia outro polêmico pacote de austeridade. Novamente não convence os mercados e provoca indignação entre a população, que promete reagir.
A reação popular mostra-se como o único caminho para barrar os que se surpreendem com as tragédias que eles mesmos gestam.

Leia também Grécia: quando cachaça é eutanásia

Nenhum comentário:

Postar um comentário