quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cuba: de volta aos bordéis?

O Globo de hoje traz a matéria “Turismo em capacidade máxima na ilha”, referindo-se a Cuba:
O país vem vivendo a melhor temporada turística registrada nas últimas décadas: no ano passado, o número de visitantes estrangeiros chegou a um recorde de 2,7 milhões.
Nos anos 1950, as principais cidades cubanas funcionavam como bordéis em que americanos e europeus se lambuzavam. A população urbana vivia das migalhas que sobravam desses bacanais. Na chefia da zona estavam Fulgencio Batista e seu governo cheio de gângsteres.

A revolução liderada por Fidel e Che acabou com isso. Possibilitou ao povo cubano um mínimo de dignidade. A prostituição não acabou. O próprio Fidel admitiu isso, fazendo uma ressalva: “todas as prostitutas cubanas têm nível superior”. Uma referência meio exagerada às conquistas sociais da revolução.

A Revolução Cubana começou a ser derrotada quando a ilha tornou-se satélite da União Soviética. Cercado pelo criminoso bloqueio econômico americano, o país tornou-se mais um peão no tabuleiro da Guerra Fria. Pagou um preço alto: continuou a ser uma economia dependente.

A União Soviética acabou e Cuba mergulhou numa crise que dura até hoje. Um dos caminhos para sair dela tem sido a exploração de suas belezas pela indústria do turismo. Uma atividade que costuma aumentar a desigualdade social.

O setor turístico cubano trabalha com o peso conversível. Ele vale um dólar. E este equivale a cerca de 25 pesos cubanos. Ou seja, há um setor econômico que negocia valores muitas vezes superiores em relação ao restante da economia. Receita certa para uma rápida concentração de renda.

Tudo indica que os grandes bordéis estão voltando rapidamente a Cuba. É uma pena constatar tão duramente a impossibilidade de construir o socialismo nos limites de um país.

Leia também: Um assentamento chamado Cuba

3 comentários:

  1. É Sergio se para escrever textos iguais dos colunistas do PIG era melhor vc ter ficado de férias.

    A citação da "O Globo" fala em turismo e não em prostituição.

    Outro aspcto:vc falou que "A Revolução Cubana começou a ser derrotada quando a ilha tornou-se satélite da União Soviética." Uai, quer dizer que revolução pra vc é aquilo que aconteceu em 59-61? Que sabemos que não era uma revolução socialista.

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  2. Tem toda razão. A citação e a matéria do Globo falam somente em turismo. Mas isso não impede que eu fale de prostituição. E eu não disse que Cuba já voltou a ser um bordel. Apenas acho que os rumos adotados podem acabar nisso.
    Como você mesmo destacou, eu disse que a "Revolução Cubana começou a ser derrotda". Não disse que ela era socialista. Fidel, diferente do Che, não era comunista ou socialista entre 59 e 61. Aliás o PC cubano chegou a fazer parte do governo Batista. O caráter "socialista" veio como política de Estado e justificativa para a aliança com a URSS. Entendo as razões do processo. Apoio a luta do povo cubano contra o imperialismo. Só não aceito que seja socialismo o que se pratica na ilha. Aliás, quem diz que Cuba é socialista são os tais "colunistas do PIG", que fazem questão de confundir socialismo com estatização e autoritarismo. Defender cegamente Cuba não ajuda em nada à luta da esquerda.
    Abraço

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  3. A Revolução Cubana em meados nos 60 acabou (e acabou mesmo, nem os pequenos negócios que estão voltando desde de 2006 ficaram) com a propiedade privida.Elemento principal do sistema capitalista.

    Pelo que sei os colunistas do PIG já estão adotando "capitalismo militar" p/ Cuba, devido a essas medidas liberais de plano sencudário na economia cubaba.

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