sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Haitianos e racismo estatal

“Europeus bem-vindos, haitianos barrados” é o título de artigo escrito por Omar Ribeiro Thomaz e Sebastião Nascimento, pesquisadores do Centro de Conflitos, Catástrofes e Mudanças Ambientais da Unicamp. O texto foi publicado na Folha de S. Paulo, em 21/01.

Segundo o artigo, "após o terremoto de janeiro de 2010, o Ministério das Relações Exteriores anunciou uma iminente ‘invasão’ de mais de 20 mil haitianos por ano. Dois anos depois, chegaram pouco mais que 3.500". Os pesquisadores afirmam que na época:
... foram suspensos, apenas para os haitianos, os protocolos de solicitação de refúgio. Foi assim que as autoridades brasileiras lançaram os haitianos na ilegalidade, na imobilidade e na precariedade.
E chamam atenção para o fato de que:
...na mesma tacada em que cria barreiras discricionárias à vinda de haitianos, algo que deveria envergonhar um país que nas últimas décadas tanto se beneficiou com as remessas de sua própria diáspora, o governo brasileiro aplaude a chegada de dezenas de milhares de europeus, ajudando esses imigrantes a contornar a burocracia.
Trata-se uma vergonhosa política de governo que segue a secular lógica racista do Estado brasileiro. Em meados do século 20, esta lógica se viu confirmada pela própria lei. Em agosto de 1945, Getúlio Vargas assinava um decreto-lei sobre “imigração e colonização” que dizia em seu artigo 2º:
Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia, assim como a defesa do trabalhador nacional.
Em primeiro lugar, de que modo se combinam a preferência pela “ascendência européia” e a defesa do “trabalhador nacional”? Pela exclusão dos negros desta última categoria, talvez.

Em segundo lugar, o decreto foi assinado logo após o final da 2ª Guerra, em que foram travadas sangrentas batalhas contra o racismo fascista. Ou seja, o nazismo perdeu a guerra, mas o racismo segue vitorioso.

Leia também: Preconceito racial e consumo

2 comentários:

  1. Não seria pq os nazistas precisam de refúgio com o fim da segunda guerra?

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  2. Não acho. Seria um volume muito pequeno de refugiados para justificar uma providência legal que poderia chamar a atenção pra esse tipo de ação. E a maioria acabou indo pra Argentina. De qualquer maneira, a política de branqueamento, formal e informal, vem desde o final da escravidão. Negros, só foram bem-vindos enquanto vieram nos navios negreiros.

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