terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A perigosa pirâmide bancária

Os chamados esquemas pirâmide são proibidos por lei. Mas há quem diga que o sistema bancário não passa de um deles. Uma multidão de pessoas deposita seu dinheiro nos bancos. Estes investem esses recursos, mas usam o mesmo dinheiro para várias transações. É o que chamam de “alavancagem”. A mesma quantia alavanca vários negócios diferentes.

É por isso que uma crise bancária começa quando aquela multidão resolve sacar seu dinheiro ao mesmo tempo. Isso é tão antigo quanto os bancos, nascidos no século 15. Mas o desenvolvimento do capitalismo alavancou a própria esfera da produção. Afinal, todo o valor produzido pelos trabalhadores jamais pode ser integralmente adquirido por eles mesmos. Uma hora ou outra, sobram mercadorias e surgem as crises de superprodução.

De qualquer maneira, uma entrevista publicada no site UniNomade em 24/01 confirmaria a grande bolha de que vive o sistema bancário. Vejam os números que apresenta Andrea Fumagalli, professor de Economia Política da Università di Pavia, Itália:
Se o PIB do mundo inteiro em 2010 foi de 74 trilhões de dólares, as finanças ultrapassam esta quantia: o mercado mundial de obrigações vale 95 trilhões de dólares. As bolsas de todo o mundo valem 50 trilhões e os derivados, 466 trilhões. Em seu conjunto, os mercados movem uma riqueza 8 vezes maior que aquela produzida em termos reais: indústria, agricultura, serviços.
Fumagalli também alerta para o elevado nível de concentração. Segundo ele, em 2011, 5 agentes financeiros (J.P Morgan, Bank of America, Citybank, Goldman Sachs, HSBC USA) e 5 bancos (Deutsche Bank, Ubs, Credit Suisse, Citycorp-Merrill Linch, Bnp-Paribas) assumiram o controle de mais de 90% dos títulos derivados.

É como se a pirâmide estivesse se sustentando em sua parte menor. Qualquer desequilíbrio, ela vem abaixo. O pior é que raramente a minoria responsável por essa irresponsabilidade sofre as conseqüências. Estas sempre sobram para a base da pirâmide social.

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