quarta-feira, 24 de abril de 2013

A exceção, a regra e as revoluções

Em 17/04, Rafael Franzini e Amerigo Incalcaterra publicaram o artigo “Por que a exceção não deve ser a regra” na Folha de S. Paulo. O texto argumenta que a internação à força de dependentes de drogas só se justificaria em casos muito pontuais. Mas, no caso dos usuários de crack, tornou-se regra.

Isso não nos deveria espantar. Na atual sociedade adotamos as exceções como objetivo maior. Por exemplo, a beleza segundo padrões impostos pela grande mídia é muito rara. No entanto, é esse modelo que a grande maioria procura imitar sem sucesso. O automóvel mais luxuoso e potente é também o mais caro. Apesar disso, quase todo mundo sonha possuir um. Ser vitorioso é o sonho de quase todos, mesmo que para cada vencedor sejam necessários milhões de perdedores.

Esta é um das lógicas mais poderosas da sociedade capitalista. Em busca de um triunfo quase impossível, somos mantidos em constante competição. Derrotamos a nós mesmos ao abandonar as possibilidades de união para lutar contra uma ordem injusta para a maior parte da sociedade.

Essa lógica tem implicações autoritárias, também. Por exemplo, o que está por trás da popular frase “Por causa de alguns, todos pagam”? É a justificativa de uma ordem que trata a maioria como culpada em potencial. E é isto que ajuda a explicar a aceitação popular de propostas como a redução da maioridade penal.

Mas essa unanimidade burra foi radicalmente desmentida muitas vezes. Foram momentos em que os explorados e oprimidos se levantaram. Trataram a submissão como exceção e quebraram as regras com suas revoluções.

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