segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia do Índio: pouco a comemorar

Três dias antes de sua data comemorativa, indígenas ocuparam o Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. As imagens foram vergonhosas: vários deputados e deputadas fugiram do recinto, deixando para trás computadores, agendas, bolsas e celulares.

A ocupação aconteceu em protesto contra o Projeto de Emenda à Constituição 215. A proposta quer transferir para um Congresso dominado por ruralistas as decisões sobre as terras indígenas.

Mas não faltam outros motivos para a indignação indígena. Na véspera do Dia do Índio, a organização “Survival International” cobrou do governo brasileiro ação em defesa dos índios da etnia Awá, no Maranhão. Eles pertencem ao grupo populacional mais ameaçado de extinção no mundo. Um juiz federal determinou a retirada de madeireiros e outros invasores de suas terras até o final de março passado. A decisão foi simplesmente ignorada e nada foi feito.

No próprio Dia do Índio, reportagem de Daniela Chiaretti, publicada pelo jornal Valor, informava que “152 terras indígenas na Amazônia estão potencialmente ameaçadas por projetos de mineração”. Enquanto isso, o “Movimento Xingu Vivo para Sempre” permanece em luta contra a construção da usina de Belo Monte no rio Xingu. E uma Força Nacional cerca os índios mundurukus no Rio Tapajós, onde outra usina deve ser construída.

Motivos para comemorar? Apenas o crescimento da organização dos indígenas e a radicalização de suas lutas. São mais de 400 organizações indígenas no Brasil, hoje. Que continuem a ocupar ruas e gabinetes em defesa das terras a que sempre tiveram direito. Que coloquem para correr os verdadeiros invasores e sua ação destruidora.

Leia também: A militarização da questão indígena e ambiental

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