sexta-feira, 12 de abril de 2013

Quando sete minutos são uma eternidade

Nos anos 70, fez sucesso um romance chamado “Os sete minutos”, de Irving Wallace. Basicamente, o livro era sobre outro livro, em que uma mulher descrevia suas experiências sexuais. Os minutos em questão seriam o tempo médio para se alcançar o orgasmo feminino.

Mas este intervalo de tempo também é considerado o período aproximado em que a média das pessoas consegue manter-se concentrada em algum assunto. Segundo o livro “Convite à Filosofia”, de Marilena Chauí :

Para atender aos interesses econômicos dos patrocinadores, a mídia divide a programação em blocos que duram de sete a dez minutos, cada bloco sendo interrompido pelos comerciais.

Pouco a pouco, isso se tornou um padrão para nossa atenção. Professores notavam que seus alunos não conseguiam se concentrar na aula por tempo superior a dez minutos. Artistas de teatro teriam notado o mesmo em relação a seu público durante cenas longas.

Mas a popularização da internete parece ter encurtado ainda mais esses intervalos. Principalmente, com o crescente uso de imagens e sons no lugar de textos. Agora, chegou o Vine, lançado em janeiro passado pelo Twitter. A nova ferramenta só permite criar vídeos com até seis segundos de duração.

O aplicativo é mais um elemento a reforçar o império da comunicação instantânea e volátil. A grande maioria fica com conteúdo raso que leva a reações virtuais com poucos resultados concretos. Já a elaboração cuidadosa e profunda, vai tornando-se monopólio de quem tem dinheiro, poder e tempo.

Nesse ritmo, sete minutos para alcançar um orgasmo serão um luxo de que só os mais velhos lembrarão.


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