quarta-feira, 17 de abril de 2013

Reforma Agrária: nem aos bispos adianta reclamar

“Bispos vetam projeto sobre questão agrária”, diz o título de reportagem de José Maria Mayrink, publicada pelo Estadão em 16/04. A matéria refere-se a votação realizada em assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A reportagem cita o bispo de Ipameri (GO): "Os bispos sugeriram, numa enxurrada de emendas, que se reconheça o avanço alcançado na questão agrária nos últimos 33 anos, desde 1980, quando a CNBB publicou seu último documento oficial sobre o tema".

A CNBB nunca foi um exemplo de radicalismo, mas costumava ter posições avançadas na questão da terra. Ainda segundo Mayrink, “o conceito de latifúndio também deverá ser revisto, para evitar uma condenação generalizada, como se toda propriedade de terra fosse sinônimo de injustiça”. Perfeito para livrar a cara dos latifundiários do agronegócio.

Mas os bispos não estão sozinhos. A Justiça Federal acaba de conceder liminar de reintegração de posse para o fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves. Ele é assassino confesso de Denilson Barbosa, indígena Guarani-Kaiowá, de 15 anos.

E o PT também faz das suas. O deputado federal Padre Ton (PT-RO) denunciou o líder de seu partido, José Guimarães (PT-CE), por ter assinado proposta para criação de comissão que vai examinar a PEC 215. 

Articulada pela bancada ruralista, a proposta transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a demarcação e homologação de terras indígenas e quilombolas, além de rever os territórios já concedidos. Guimarães retirou a assinatura, mas ficou a suspeita.

Como se vê, se depender dessa turma toda, a Reforma Agrária será sepultada junto com indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais. E nem aos bispos adianta reclamar.

Leia também: A prosa dos petistas e o pau dos latifundiários

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