terça-feira, 30 de abril de 2013

Delegado de polícia defende legalização das drogas

É isso mesmo. Ele se chama Orlando Zaccone, trabalha na Polícia Civil do Rio de Janeiro e seu depoimento foi publicado pela página virtual da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio.
Zaccone explica sua posição:

No Brasil, de acordo com dados da Anistia Internacional, em 2011, só nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, se matou mais do que em todos os países que têm pena de morte autorizada. Todas essas mortes provocadas por ações policiais pelo sistema penal têm como marca de legitimidade a condição do morto como traficante. Então, esta guerra produz letalidade, encarceramento em massa de pessoas que são as mais vulneráveis do extrato social. É uma guerra injusta e há muito tempo incentivada, apoiada e produzida pelo Estado brasileiro.

Com razão, ele diz que pobre preso com droga é traficante. Rico, é usuário. Mas diz que a atual política carioca de pacificação também não é solução:

Pacificação vem desde Duque de Caxias, que foi o grande pacificador, passa pelo Marechal Rondon com os índios, depois, Canudos, com a pacificação dos seguidores de Antônio Conselheiro, e no Araguaia até chegarmos ao modelo de hoje das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no Rio de Janeiro. Temos que ter uma visão mais crítica de como vai se estabelecendo o paradigma bélico de uma pacificação como forma de construção do Estado brasileiro. E a guerra às drogas está nesse contexto.

Zaccone acredita na democratização das polícias. Mas não será isso que acabará com a vocação sanguinária delas. Só o seu desmantelamento pode começar a mudar realmente as coisas.

Leia a entrevista, clicando aqui.

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