segunda-feira, 28 de abril de 2014

As jornadas de junho e os movimentos de massa

A esquerda ainda está tentando compreender o que aconteceu em junho do ano passado, quando centenas de milhares de pessoas revoltadas tomaram as ruas. Um texto chamado “A Dinâmica dos Movimentos de Massa”, do marxista inglês Colin Barker, pode ajudar.

Muitos lamentaram o caráter espontâneo das manifestações de 2013, quanto a isso Barker afirma:

O historiador Lawrence Goodwyn, escrevendo sobre o movimento operário polonês, observa que, quando os historiadores usam o termo “espontâneo”, o que eles realmente querem dizer é que na realidade não sabem o que aconteceu.

Se trocarmos “historiadores” por “militantes de esquerda” na citação, podemos ampliar seu alcance e precisão.

À crítica ao espontaneísmo geralmente seguem-se cobranças pela elevação da “consciência de classe”. Em relação a isto, Barker lembra que a “consciência de classe” não é um “sistema plenamente formado de ideias que pode (...) ser adquirido em livros”. Não adianta alguém saber o que é a teoria da mais-valia, por exemplo, mas dizer que “não há nada a ser feito em seus locais de trabalho ou suas comunidades porque todos são ‘atrasados’ demais”.

Finalmente, há os que só dão importância às grandes lutas e acontecimentos. A estes, o recado do texto é o seguinte:

Pequenas lutas preparam o caminho para movimentos maiores. Nelas os trabalhadores começam a medir a si próprios contra seus patrões e governantes com um pouco mais de confiança, em um processo molecular de mudança de consciência (...). Essa é a razão para que os socialistas prestem tanta atenção a pequenas greves e campanhas locais.
 

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