quarta-feira, 16 de abril de 2014

Escolas públicas, só para minorias disciplinadas

Em 14/05, O Globo publicou na capa: “Rotina de indisciplina explica nota vermelha do ensino no Brasil”. A matéria aborda uma pesquisa feita com diretores de escolas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) em 2012.

Dados “tabulados com exclusividade” pela Fundação Lemann apontariam fatores importantes para a “baixa qualidade“ da educação no Brasil. Entre eles, “evasão, atraso e falta a aulas por alunos e professores, uso de álcool e drogas por estudantes, bullying e falta de respeito com os docentes”.

Nenhuma palavra sobre os péssimos salários dos trabalhadores e a falta de estrutura do setor. O que interessa é denunciar a indisciplina no ambiente escolar. Pretensão confirmada pela opinião de um professor do ensino médio.

O educador dá aulas em uma escola pública de Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Ele reclama da falta de respeito dos alunos em relação aos docentes e diz com a maior naturalidade:

A agressividade e a falta de respeito atrapalham os alunos bons que querem participar, mas ficam cansados com essas situações. A grande maioria atrapalha os outros.

Em outras palavras, a escola estaria muito bem se a grande maioria de seus alunos não atrapalhasse. Na verdade, é exatamente o comportamento dessa maioria que atesta a falência desse modelo escolar. Um modelo disciplinador, inspirado nos quartéis, mosteiros e hospícios.

Ao contrário do que diz a reportagem, a saída para esta situação virá da rebeldia que o próprio sistema provoca. Não a revolta cega, nem a que atinge professores e outros profissionais da educação. Mas aquela que liberta a criatividade necessária a qualquer verdadeiro processo de aprendizado.

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