segunda-feira, 14 de abril de 2014

Indígenas: a impunidade de ontem e de hoje

Em 11/04, o portal “IHU On-Line” publicou entrevista com Maria Aparecida Aquino. O tema foi “A Justiça Militar no regime autoritário brasileiro”. O depoimento é muito esclarecedor e vale a leitura. Mas entre as informações que a professora da USP apresentou, há uma que não surpreende.

Segundo a entrevistada, os estudantes representaram a maioria entre os mortos e torturados pela ditadura militar. A justificativa fajuta de seus carrascos seria o maior engajamento desse setor nas mobilizações de resistência à ditadura e na luta armada.

Mas, como diz a professora, o PCB, por exemplo, decidiu claramente pela resistência pacífica à ditadura. Mesmo assim, seus militantes viriam a ser perseguidos, com o fuzilamento do comitê central do partido, além do assassinato de Wladimir Herzog e Manuel Fiel Filho.

O que pouca gente sabia até agora é que, pelo menos, oito mil indígenas foram mortos pela ditadura. É o que revelam dados levantados pela Comissão Nacional da Verdade. O massacre aconteceu durante obras do governo em terras indígenas, como as estradas abertas na Amazônia. Mas também por doenças, trabalho escravo, trabalho infantil, torturas e prisões irregulares.

A responsável pelo levantamento é Maria Rita Kehl. Em entrevista ao caderno “Prosa” do Globo, ela disse que a situação atual dos índios é “muito parecida com a da ditadura”. “Morrem caciques, lideranças locais, e os crimes nunca são apurados, ninguém é condenado”, afirma. Os responsáveis são principalmente os setores ligados ao agronegócio.

A impunidade do passado se encontra com a do presente. Mas esta última conta com a vergonhosa cumplicidade de antigas vítimas da ditadura.

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