terça-feira, 8 de abril de 2014

Na ausência da internete, pânico social

Em 25/03, reportagem de Toni García para o jornal El País destacava: “A internet virá abaixo e viveremos ondas de pânico”. A frase é de Dan Dennett, filósofo norte-americano, que espera graves consequências caso ocorra uma queda total da rede mundial de computadores.

Mas Dennet não está preocupado com a suspensão das telecomunicações, apagões de energia, caos no trânsito e no tráfego aéreo. Ele teme que a maioria das pessoas, uma vez privadas da internete, se veja excluída da própria vida social.

Para Dennet, relações estabelecidas por meio da família, locais de trabalho e de moradia, associações, clubes, igrejas, teriam se enfraquecido com a ampliação da rede virtual. E na ausência desta, já não teriam capacidade para voltar a exercer seu papel agregador.

Há evidente exagero nesta conclusão. Mas a crescente frouxidão do “tecido social” é um fenômeno que já vem sendo estudado pela sociologia há algum tempo. E tem muito menos a ver com a internete do que com a forma como o capitalismo vem se desenvolvendo.

Um dos que estudaram este fenômeno foi o sociólogo francês Robert Castel. Ele é responsável pelo conceito de “desfiliação social”, que procura descrever uma condição em que os indivíduos sentem cada vez mais dificuldades para se integrar às redes de pertencimento social. Mas esta situação estaria ligada à constituição da “sociedade salarial” a partir do século 19.

Os marxistas diriam que é o crescente domínio do mundo das mercadorias que vem privando de sentido as relações pessoais. Não é a internete, mas o que o capitalismo faz dela e de todas as outras redes de relacionamentos humanos.

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