quarta-feira, 9 de abril de 2014

PM: disposição para o motim e desmilitarização

Alguns setores da esquerda defendem o apoio à luta dos policiais militares por seus direitos. Principalmente para os soldados rasos, que são os que mais sofrem com a disciplina militar de seu trabalho. Um regime que inclui castigos físicos, prisões sem direito a defesa e proibição de organização sindical.

Também há quem considera os policiais como trabalhadores comuns. Mas eles não apenas atuam na repressão às lutas de outros trabalhadores. Também cometem atos brutais contra pobres, negros e militantes sociais. E, na maioria das vezes, desempenham estas duas funções de forma ilegal.

Na verdade, as corporações policiais agem cada vez mais como gangues criminosas apoiadas por governantes, parlamentares e juízes. Mas se é assim, precisamos tratar essa criminalidade como a esquerda sempre tratou. Atacar principalmente suas raízes, não apenas suas consequências.

Uma das principais causas da criminalidade na polícia é sua militarização. Ela é a base de uma máquina feita para massacrar explorados e oprimidos, que também esmaga entre suas engrenagens os próprios policiais. Ao mesmo tempo, esse maquinário pesado atravanca o caminho para qualquer transformação social no Brasil.

As forças populares jamais terão poderio bélico para enfrentar abertamente esse aparato repressivo. Nossa melhor possibilidade consiste em tentar neutralizar ao máximo sua ação violenta e criminosa. A desmilitarização da polícia seria um passo importante para alcançar esse objetivo.

Há no Congresso uma proposta de Emenda Constitucional com esse objetivo. Dificilmente será aprovada. E se for, pode ser simplesmente ignorada. Somente uma disposição ao motim no interior dos próprios quartéis pode mudar esse quadro. Algo que a esquerda não pode produzir, mas deveria se preparar para apoiar.

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