quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Machismo: do trabalhador braçal ao professor universitário


A Lei Maria da Penha recebeu este nome em homenagem a uma mulher que foi vítima de agressões de seu marido por 23 anos. Mas poucos sabem ou lembram que o agressor era professor universitário.

Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo (FPM), em 2013, mostraria que a violência contra a mulher atinge toda a sociedade, independente de renda, cor, escolaridade ou outros fatores. Mas dentre estes recortes, o nível de escolaridade pode ser um bom indicador de acesso a renda e dos obstáculos criados pelo preconceito racial.

Os dados da FMP indicam que a violência física atinge 19% das mulheres com curso superior ou mais, contra 25% das que têm só o ensino fundamental. Já as formas de controle ou cerceamento atingem 19% das mulheres com menor escolaridade, contra 27% das mais graduadas. A “violência psíquico-verbal” afeta igualmente todas as mulheres, com 21%. A agressão sexual atinge 11% das quem têm ensino fundamental e 8% das mais escolarizadas.

Essa mesma uniformidade, porém, dificilmente será encontrada na estrutura pública voltada para lidar com esse grave problema social. Um exemplo é a lei que obriga o SUS a atender vítimas de estupro. Aprovada há um ano e meio, ela ainda não foi colocada em prática. E a grande maioria das mulheres que recorrem ao SUS são pobres.

Além disso, é inegável que a estrutura policial-judiciária tende a tratar as mulheres agredidas como parcialmente culpadas pela agressão. Mas este tratamento será ainda mais provável para uma moradora de favela, por exemplo.

Seja como for, não faltam exemplos de que o machismo reina igualmente entre trabalhadores braçais e professores universitários.

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