terça-feira, 3 de março de 2015

Não há revolução sem a rebeldia feminina

A presença feminina nas revoluções é muito maior do que parece. É o que mostra, por exemplo, Tania Machado Morin em artigo publicado na edição “Revista de História” de dezembro de 2010.

Segundo o texto, pelo menos, 80 mulheres pegaram em armas na Revolução Francesa. Quase todas filhas de pequenos camponeses e artesãos. Mas a participação feminina não se limitou ao papel de bucha de canhão. Foram elas que detonaram muitos processos revolucionários.

Em 18 de março de 1871, o governo francês tentou retirar alguns canhões de Paris. Como na cidade só restou o povo pobre, o objetivo era abandoná-la ao massacre pelos inimigos prussianos. Algumas mulheres viram a manobra traiçoeira e deram o alarme. Começava a Comuna de Paris.


Nesta que foi a primeira revolução operária da história, cerca de três mil mulheres trabalharam nas fábricas de armas e munições. Um batalhão feminino da Guarda Nacional foi formado por 120 combatentes que lutaram nas barricadas de Paris

Em fevereiro 1917, na Rússia, operárias têxteis iniciaram uma greve contra as orientações do partido bolchevique. A paralisação mostrou-se acertada. Detonou o primeiro estágio da revolução socialista que triunfaria em outubro daquele ano.


No calendário ocidental, a data do início da greve desautorizada e vitoriosa correspondia a 8 de março. Fato convenientemente esquecido até por muitos historiadores de esquerda, muitos deles igualmente marcados pelos machismo.

As revoluções sociais são momentos em que se estouram todos os limites do conservadorismo. O mais ancestral deles é o machismo. Não há revolução possível sem a rebeldia feminina. Inclusive contra os preconceitos dos que lutam ao lado delas.

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