quinta-feira, 26 de março de 2015

Não basta ser de esquerda

Para ajudar a entender a confusão política atual, os conceitos de esquerda e direita continuam sendo muito úteis, desde que compreendidos no sentido que costuma recomendar Frei Betto:
Ser de esquerda significa optar pelos pobres, indignar-se perante a exclusão social, inconformar-se com todas as formas de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar a desigualdade social uma aberração.  
Ser de direita é tolerar injustiças, pôr os imperativos do mercado por cima dos direitos humanos, encarar a pobreza como falta incurável, acreditar que existem pessoas e povos superiores aos outros.

Segundo os critérios acima, os governos petistas são de esquerda. O problema é que eles fazem alianças com partidários da segunda definição para alcançar os objetivos da primeira.

Ocorre que a primeira definição refere-se principalmente a intenções. A segunda descreve uma realidade já existente. Daí, o equívoco dos petistas que acreditam estar usando o inimigo para seus fins, quando é o oposto que acontece.

Voltemos a Frei Betto. Em janeiro de 2002, ele publicou “Dez conselhos para os militantes de esquerda”. Um deles avisa:
Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus socialdemocrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes.
Entre os mais utilizados "métodos da direita" está a corrupção. E o mais recente agrado petista a ela é o chamado ajuste fiscal do governo Dilma. A primeira tornou-se pretexto para os ataques da direita nas ruas. As últimas, a capitulação final do PT à direita.

Portanto, somente ser de esquerda não basta. Também é preciso ser revolucionário.

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3 comentários:

  1. Como a proposta do PSOL para combater o "inimigo" (sistema capitalista de produção)?

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  2. Perdoe-me...Qual a proposta do PSOL para combater o verdadeiro "inimigo", o sistema capitalista de produção da classe trabalhadora explorada?

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  3. Marcus, há alguns anos que sou apenas filiado do PSOL. Participei dos processos de sua fundação e de sua vida orgânica até 2008, mais ou menos. Mas posso dizer que o PSOL não tem propostas muito definidas sobre o “inimigo” devido a seu caráter de frente. Talvez, possamos dizer que há um bom nível de acordo dentro do partido quanto a evitar alianças com a direita, rigor em relação ao combate à corrupção e aumentar a presença nas lutas dos movimentos sociais. Mas avalio que o PSOL também está sendo fortemente afetado pela crise que atinge os partidos em geral, e, em especial, os de esquerda. Não apenas pelos recentes casos de corrupção, mas pela dificuldade em entender a conjuntura surgida pela conquista do governo federal pelo PT e lidar com suas crises e contradições. Algo que considero estar sendo muito bem aproveitado por nossos “inimigos”, como você diz.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

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