segunda-feira, 30 de março de 2015

A receita lulista para o desastre perfeito

Em 15/03, o professor de filosofia da PUC-Rio, Rodrigo Nunes, escreveu interessante artigo no caderno Ilustríssima da Folha. O tema era ambientalismo, mas uma passagem do texto aborda de forma precisa a fórmula lulista para o crescimento econômico. Mais especificamente, a “situação em que os ricos ficavam mais ricos e os pobres, menos pobres”.

Segundo Nunes:


Seria possível produzir mais igualdade crescendo menos, caso não se tivesse abandonado o projeto de redistribuir a riqueza já existente, representado por antigas bandeiras como o imposto sobre grandes fortunas e a reforma agrária. Abandonado este projeto, sobrou apenas a distribuição da renda por ser criada...
O problema é que “a renda por ser criada” surgiu do aumento do consumo. Consumo básico, mas também de casas, vagas em faculdades, planos de saúde, eletroeletrônicos... Tudo via mercado. Jamais pela diminuição da enorme concentração de riqueza e patrimônio do País. A crise de 2008 retirou dessa fórmula seu grande lastro: a enorme demanda mundial por commodities.

Resultado: estudo do professor da Unicamp, Waldir Quadros, usando dados da PNAD 2014 constatou queda de renda para 4,7 milhões de integrantes da chamada classe C. Ao mesmo tempo, o Data Popular observou que 42% dos trabalhadores dessa faixa social passaram a fazer “bico” para complementar a renda.

Em 2014, o Ministério do Trabalho verificou a menor criação de postos com carteira assinada em 16 anos. Desde 2002, não se registravam mais demissões do que contratações na indústria paulista. Já o comércio, teve a menor geração de empregos em dez anos.

E pensar que os ajustes neoliberais de Joaquim Levy nem começaram a fazer efeito.

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