quarta-feira, 4 de março de 2015

Vida longa e próspera para a humanidade

A ficção científica está de luto. Morreu Leonard Nimoy, o inesquecível Sr. Spock de “Jornada nas Estrelas”.

Mestiço, Spock era meio vulcano, meio terrestre. Mas seu lado alienígena predominava através de um comportamento implacavelmente lógico.

Uma conduta que provocava a ira do Dr. McCoy. O emotivo médico da Enterprise não suportava a frieza de seu colega de orelhas pontudas.

Os dois pareciam representar um choque bem típico do século 20. No papel de mediador, o capitão Kirk procurava equilibrar as contradições entre razão e sensibilidade.

Mas este era só um dos conflitos que deu à série uma legião de fãs pelo mundo. Ou seriam mundos?

Surgida em 1966, um dos motivos para seu
sucesso eram as denúncias de problemas como racismo, xenofobia, guerras, autoritarismo.

Em plena Guerra Fria, porém, tudo isso aparecia disfarçado na forma de conflitos envolvendo espécies bizarras dos confins do universo.

Outra opção bem sucedida era a composição da tripulação. Além da dupla explosiva formada por McCoy e Spock, havia gente da Rússia, Japão, Escócia, Irlanda e uma oficial afro-americana.

Claro que o comandante tinha que ser branco e americano, mas a pluralidade radical da turma sinalizava que a Terra já havia deixado para trás suas mesquinhas patriotices.

A Enterprise não tinha objetivos militares. Apenas de exploração e pesquisa. Seu principal mandamento era a chamada “Primeira Diretriz”, que proibia interferências no desenvolvimento normal das civilizações que encontrava.

As aventuras da Enterprise se passam nos anos 2150. Ainda temos tempo para concretizar algumas das esperanças alimentadas pela série.

Que a humanidade saiba honrar os votos de vida longa e próspera deixados pelo Sr. Spock.

Leia também:
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Star Trek: a jornada parou no meio do caminho

2 comentários:

  1. Bonito. A chamada para leitura já me encantou. Tanto amor só podia vir de um fanático pela serie.
    Eu sou da época dos Perdidos no Espaço. Nunca parei para pensar sobre o que representava ideologicamente. Aquilo de outros mundos me encantava. Se bem que se for pensar na família caretinha, nos colonizadores, no agente sabotador de outro governo (provavelmente russo)... Pára! Deixa ficar só com a minha ilusão infantil.

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    1. Na infância, eu também gostava mais da família careta. Só fui prestar atenção na Jornada na adolescência. Aí, foi paixão. Hoje, depois de velho, ainda dá pra tentar assistir um ou outro episódio dos Treks. Já o "Perdidos", sem chance.
      Abraço!

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