segunda-feira, 2 de maio de 2016

Fazendo selfies com Hitler

Em 2014, Adolfo Hitler acorda em plena Berlim e começa a circular pela cidade agindo como se os 70 anos desde sua morte não fizessem diferença. A confusão é grande. Mas não pelos melhores motivos.

A trama está no livro “Ele está de volta”, de Timur Vermes, lançado em 2011. Em 2015, ganhou uma adaptação cinematográfica homônima de David Wnendt.

A produção apresenta situações cômicas. Mas o filme também assusta e quase faz chorar.

Quando o Hitler ressuscitado sai pelas ruas, sua presença, em geral, é muito bem recebida. Turistas ou não, muitos o escolhem para fazer um selfie. A maioria das declarações são música para seus ouvidos fascistas. Há, principalmente, muita xenofobia racista.

Mesmo misturando situações reais com cenas dramatizadas, a realidade está presente em quase tudo. E o que mais assusta é o entusiasmo com que as pessoas abordadas colaboram, demonstrando enorme predisposição à intolerância extremista.

“Hitler” olha em volta e encontra todos os elementos que o fizeram poderoso nos anos 1930. Especialmente, a indignação. Esta última é sua matéria prima para abordar problemas como desemprego elevado, salários baixos e muita corrupção.

Olhamos para o resto do mundo e vemos situações bem parecidas. São os problemas estruturais do capitalismo se espalhando pelos pontos mais importantes do capitalismo global. Frente a eles, tudo o que a direita precisa é de uma democracia limitada ao plano institucional ou uma esquerda fiel executora das receitas neoliberais. Ajustes fiscais incluídos.

Muito provavelmente, é por isso que, no Brasil, os fascistas nem precisem ser ressuscitados. Assim como não falta quem esteja disposto a fazer selfies com eles.

Leia também: O espectro que nos ronda

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