sexta-feira, 13 de maio de 2016

Muito trauma, nenhuma ruptura

Em meio aos traumas causados pelo impeachment, lembremos alguns elementos fundamentais de continuidade.

O governo Temer começa da mesma forma que o governo Lula. Henrique Meirelles é o homem forte da economia. Talvez, seja por isso que Lula vinha insistindo para que Dilma fizesse do mesmo Meirelles seu Ministro da Fazenda para acalmar “os mercados”.

Demorou, mas Lula acabou por ser ouvido.

Ao deixar o governo, Dilma manteve apenas dois ministros. O primeiro era o presidente do Banco Central. É justo. Afinal, ele ocupa o cargo mais importante da “República”. O de garantidor do pagamento da enorme e imoral dívida pública, que já subtrai diariamente mais de R$ 1,5 bilhão do orçamento público só em juros.

O outro integrante remanescente do alto escalão petista era o ministro do Esporte, devido aos Jogos Olímpicos. É justo, também. Afinal, os bilhões gastos com o megaevento ajudarão a engrossar a dívida pública. E já conta até com a absurda legislação especial deixada pelo PT.

Voltando a Meirelles, seu ministério agora também cuida da Previdência. Quem sabe, assim, a Reforma da Previdência que Dilma tanto prometeu aos “mercados” seja aprovada. E o dinheiro dos trabalhadores pode ser canalizado diretamente para o pagamento da... dívida pública. De uma gaveta à outra, sem intermediários.

No ministério da Justiça, Alexandre Moraes, ex-secretário de Segurança do governo paulista. Em seu currículo, o espancamento de alunos que ocuparam escolas em São Paulo, entre outras violências. Portanto, mais do que qualificado para garantir que a lei antiterrorismo aprovada pelo governo Dilma seja plenamente utilizada.

Ou seja, o momento é traumático exatamente porque não houve rupturas.

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