quinta-feira, 5 de maio de 2016

Uma autópsia do PT combativo

Fazer uma “autópsia” da vocação contestadora do PT é fundamental para a esquerda que não se deixou render. Pelo menos, para tentar evitar o mesmo fim melancólico.

Nesse sentido, são valiosas as contribuições de “Uma esquerda para o capital”, tese acadêmica de Eurelino Coelho, transformada em livro em 2012.

A pesquisa concentra-se na atuação de duas correntes políticas no interior do PT. Uma, a Articulação, que dirige o partido e reúne líderes como Lula, Aloísio Mercadante e José Dirceu. A outra, o Partido Comunista Revolucionário (PRC), de José Genoino e Tarso Genro, que mais tarde se tornaria a Democracia Radical.

A corrente lulista sempre foi a mais moderada, comparada às outras tendências petistas. Já o PRC, surgiu como agrupamento da esquerda revolucionária. Por anos, elas divergiram radicalmente quanto aos rumos do partido.

Mas, no início dos anos 1990, elas se aproximaram bastante, com a corrente de Genoino assumindo posições políticas que ficavam, inclusive, à direita da Articulação.

A atuação das duas forças teria sido fundamental na preparação do PT para assumir o governo federal com um projeto rendido à lógica neoliberal.

Elemento importante nessa trajetória foi o abandono do caráter classista da atuação petista. Em seu lugar, lideranças dos dois agrupamentos defendiam “valores éticos” e o “governo para todos”.

O grande teste para esses posicionamentos aconteceu em 1994. A campanha eleitoral de José Dirceu ao governo paulista recebeu doações da Odebrecht. Mas a crise no grupo dirigente do partido não envolveu o financiamento em si, apenas acusações de corrupção contra a empreiteira.

O abandono do classismo logo levaria à frouxidão ética. Depois, à mesa de dissecação.

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