quinta-feira, 11 de maio de 2017

Como é ser um morcego?

Em meio ao crescente debate sobre inteligência artificial, alguns trechos do livro “Homo Deus”, de Yuval Harari:  

Um dos mais importantes artigos sobre a filosofia da mente intitula-se “Como é ser um morcego?”. Nesse artigo de 1974, o filósofo Thomas Nagel assinala que a mente de um Sapiens não é capaz de conceber o mundo subjetivo de um morcego. Podemos escrever todos os algoritmos que quisermos sobre o corpo do morcego, seus sistemas de ecolocalização e seus neurônios, mas isso não vai nos explicar como é sentir-se um morcego. Como ele se sente ao localizar por intermédio do eco uma mariposa que bate suas asas?

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Um morcego poderia estabelecer a diferença entre uma espécie saborosa de mariposa e uma espécie de mariposa venenosa a partir dos diferentes ecos que retornam de suas asas esguias.

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Assim como o Sapiens não é capaz de compreender como é ser um morcego, temos dificuldade semelhante em compreender o que é se sentir uma baleia, um tigre ou um pelicano.

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Baleias também podem ter experiências musicais espantosas que nem mesmo Bach e Mozart poderiam conceber (...). Mas será que qualquer humano seria capaz de compreender essas experiências musicais e perceber a diferença entre uma baleia Beethoven e uma baleia Justin Bieber?

Nada disso deveria nos surpreender. Sapiens não governam o mundo por terem emoções mais profundas ou experiências musicais mais complexas do que as de outros animais. Podemos ser inferiores a baleias, morcegos, tigres e pelicanos, ao menos em alguns domínios emocionais e empíricos.

Ou seja, não há artifício inteligente que dê conta de nossa vasta ignorância.

Leia também: Possíveis intimidades entre o sexo e a morte

Um comentário:

  1. Interessante. Realmente, como conclui, estamos muito distante ainda de entender a vida real.

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