segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mais momentos pouco épicos da Revolução de 17

São Petersburgo, 25 de outubro de 1917, 3:30h da manhã. O navio de guerra “Aurora”, sob comando revolucionário, ancorou perto do Palácio de Inverno. Viera reforçar o cerco à sede do governo provisório, cujos integrantes se recusavam a entregar o poder aos sovietes.

Os canhões do navio abriram fogo. Eram tiros de pólvora seca, mas a explosão de um canhão sem balas assusta mais do que se estivesse usando munição. Foi o bastante para vários soldados favoráveis ao governo provisório abandonarem seus postos.

Quando o navio disparou balas de verdade, quase todas caíram no Rio Neva. Uma delas explodiu logo acima da sala onde estavam os membros do governo. Mais soldados abandonaram o palácio.

Pouco antes de nascer o dia, finalmente o governo provisório anunciou sua rendição. Antonov, um militante bolchevique, entrou na sala e determinou a prisão de todos. Um dos detidos era do Ministério do Interior. Ele tirou do bolso um telegrama vindo da Ucrânia, entregou-o a Antonov, dizendo: "Recebi isso ontem. Agora, é com vocês."

Mais tarde, uma autoridade municipal que se recusava a reconhecer os sovietes ligou para o Palácio de Inverno. “Quem fala?”, perguntou. A resposta: "O sentinela". “O que está acontecendo aí?”. "Não há nada acontecendo aqui", disse o soldado e desligou.

Nesse momento, Lênin ainda ignorava a situação e andava em círculos em sua sala no quartel-general dos revolucionários, furioso com a demora para tomar o Palácio.

Foi desse modo pouco pomposo que os sovietes assumiram o poder na Rússia, segundo o livro “The Bolsheviks Come to Power” (“Os Bolcheviques Tomam o Poder”), de Alexander Rabinowitch, ainda sem tradução.

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