terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Sob o capitalismo, bullying é sinônimo de adaptação


O capitalismo é bullying; é competição – vencedores e perdedores. A desigualdade social está no cerne do capitalismo. Os fracos merecem seu destino. Qualquer um que seja intimidado fez por merecer. Os pobres não têm resistência nem correm atrás. Eles devem se submeter ao poder daqueles que tem a força para construir indústrias, fortunas e impérios. Os fortes foram feitos para dominar os fracos. Para que a economia cresça, 1% deve ser livre para intimidar os outros 99%.

As palavras acima são de Charles Deber e Yale Magrass, autores do livro “Como o Establishment norte-americano cria uma sociedade de Bullying”, ainda sem edição em português. Eles deram uma entrevista publicada pelo portal “Outras Palavras” em 03/12.

Para os autores, bullying não é exceção:

Quando as crianças ou os adultos fazem bullying, eles estão reagindo às normas ou incentivos de suas empresas e de sua sociedade militarizada. Eles não estão “doentes” ou perturbados nem são “antissociais”; na verdade, estão bem adaptados ao sistema e não precisam de terapia para se ajustar ainda mais.

Deber e Magrass também citam Marx. Segundo eles, o revolucionário alemão “construiu toda sua teoria da exploração capitalista como uma relação de bullying entre a classe capitalista e a classe trabalhadora”. Trata-se do “bullying do capital”, afirmam. Conceito inspirado em “O Capital”.  

Difícil discordar da tese. A não ser quando eles dizem que a “melhor maneira de reduzir o bullying é mudar nossa sociedade”, nos “encaminhando a um sistema menos capitalista”.

Menos bullying, é importante. Mas menos capitalismo, não basta. Se não o eliminarmos, ele nos elimina. E na base de muito abuso e porrada.

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