21 de dezembro de 2017

Aventureiros e mafiosos no poder soviético

Enganam-se aqueles que nos acusam de dizer que a Rússia está madura para o socialismo, costumava afirmar Lênin. Segundo ele, ninguém jamais, partido ou indivíduo, teve intenção de introduzir o socialismo “por decreto” na Rússia.

Este posicionamento está em “Reconstruindo Lênin”, de Tamás Krausz. Segundo Krausz, Lênin não previu um final completo e imediato das relações de mercado. Para o líder bolchevique, seria preciso “aguardar o tempo necessário para convencer o povo e aprofundar sua consciência”.

Em seus primeiros meses, o poder soviético limitou-se a adotar medidas “perfeitamente maduras, técnicas e culturais, para trazer alívio imediato aos pobres e diminuir as trágicas consequências da guerra", dizia Lênin.

Em abril de 1918, Lênin publicou “As tarefas imediatas governo soviético”. A situação era tão caótica que o artigo defendia a contratação de especialistas do antigo regime, pagando-lhes altas remunerações.

Uma medida necessária, dizia ele, apesar de tornar inevitável a “influência corruptora dos altos salários”, tanto sobre a massa dos trabalhadores, como em relação às “autoridades soviéticas”.

Especialmente, afirmava Lênin, “porque a revolução ocorreu tão rapidamente que era impossível impedir que um certo número de aventureiros e mafiosos ocupassem posições de autoridade”.

Nesse momento, as formulações de Lênin já não apresentavam a segurança do período pré-revolucionário. Mas jamais perderam a precisão ou se deixaram cegar pela recente vitória.

A essa altura, todas as esperanças estavam depositadas nas revoluções na Europa ocidental. Quando elas não aconteceram, começou a surgir um terreno fértil para aqueles que Lênin identificou como “aventureiros e mafiosos”.

Gente cuja vocação para a corrupção e o autoritarismo, Stálin saberia utilizar na contrarrevolução que viria a liderar.

Leia também: União Soviética: preservando o estado às custas da revolução

Nenhum comentário:

Postar um comentário