1 de dezembro de 2017

Estatísticas pouco úteis para a luta de classes

No editorial “Quem é a elite”, de 30/11, a Folha argumenta:

Um brasileiro com salário de R$ 27 mil mensais possivelmente se considera de classe média, ou média alta.

(...)

Entretanto esse funcionário frequenta, talvez sem o saber, uma comunidade minúscula e privilegiada no topo da pirâmide social brasileira. Conforme os dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo IBGE, ele recebe o correspondente à renda média do trabalho do 1% mais bem pago do país.

Não que o texto tenha escolhido chamar esse trabalhador bem remunerado de “funcionário”, numa referência enviesada ao serviço público. Ou que o lamento sobre as “dimensões brutais da desigualdade nacional” seja seguido pela citação de “gastos previdenciários, que consomem a maior fatia do Orçamento federal” e a “gratuidade constitucional do ensino superior público”.

O que realmente deveria surpreender é que a esquerda continua a repetir esses números escandalosos. Ou fique discutindo classificações sociológicas rasas, como “classe média”, “classe C”, etc.

Saber, por exemplo, que os muito ricos ganham 36 vezes mais que a metade da população diz muito pouco sobre quem podem ser nossos aliados na luta de classes em um país tão injusto e violento. Seriam os que ganham apenas 3 vezes mais que a média nacional? Ou 5 vezes? A metade? Um terço?

Indicadores objetivos sobre as classes sociais são quase inúteis se não se relacionarem a seus elementos subjetivos. Mas trata-se de um nível de compreensão da realidade que nenhum recurso econômico ou científico pode alcançar.

Dar conta desse desafio exige outros instrumentos. Pouco dispendiosos, bastante acurados, porém muito trabalhosos. Envolvem o que costuma chamar-se trabalho de base.

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