segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Rosa Luxemburgo e a sabedoria da toupeira parlamentar

Em seu artigo “A Revolução Russa”, Rosa Luxemburgo faz críticas firmes, ainda que fraternas, a algumas das primeiras medidas tomadas pelo governo bolchevique.

Mas outro alvo importante do texto são as direções do Partido Comunista alemão. Elas não apenas deixaram de fazer a revolução em seu país como condenaram a Revolução Russa por sua “imaturidade”. Para esses reformistas, era preciso esperar, primeiro, a conquista da maioria do povo para, depois, tomar o poder.

A isto, Rosa responde:

Os bolcheviques resolveram assim a célebre questão da “maioria do povo”, pesadelo que sempre oprimiu os socialdemocratas alemães. Pupilos incorrigíveis do cretinismo parlamentar simplesmente transpõem para a revolução a sabedoria caseira do jardim de infância parlamentar: para fazer alguma coisa, é preciso ter antes a maioria. Portanto, o mesmo para a revolução: conquistemos primeiro a “maioria”. Mas a dialética real das revoluções inverte esta sabedoria de toupeira parlamentar: o caminho não conduz da maioria à tática revolucionária, ele leva à maioria pela tática revolucionária. Apenas um partido que saiba dirigir, isto é, fazer avançar, ganha seus seguidores na tempestade. A resolução com que Lênin e seus companheiros lançaram no momento decisivo a única palavra de ordem mobilizadora – todo o poder ao proletariado e campesinato – fez, praticamente de um dia para o outro, de uma minoria perseguida, caluniada, “ilegal”, cujos dirigentes (...) precisavam esconder-se nos porões, a dona absoluta da situação.

Não se trata de acreditar na clarividência de vanguardas. A “resolução de Lênin e seus companheiros” estava ancorada em muitos anos de forte trabalho de base junto a trabalhadores e população pobre.

Não é receita, mas fica a dica.

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