11 de dezembro de 2017

Marx e o espaço anulado pelo tempo

A sensação de que a passagem do tempo vem se acelerando nas últimas décadas parece inegável. Há vários estudos em torno do fenômeno. No Brasil, por exemplo, há um laboratório dedicado a ele na Universidade Federal do ABC.

Mas uma das explicações possíveis poderia ser deduzida de uma necessidade econômica fundamental para o capital. É a aceleração de tempo de circulação das mercadorias para a realização dos lucros provenientes de sua comercialização.

“Grundrisse” é o nome pelo qual são conhecidos alguns manuscritos de Marx concluídos em 1858, na condição de rascunhos de “O Capital”. E se este já é de leitura complexa, imagine seu esboço. Mas segue uma citação interessante:

Enquanto o capital deve por um lado, esforçar-se por derrubar todas as barreiras espaciais para realizar o intercâmbio (isto é, a troca), e conquistar todo o mundo como seu mercado, esforça-se, por outro lado, em anular o espaço pelo tempo, isto é, reduzir a um mínimo o tempo despendido no movimento de um lugar ao outro. Portanto, quanto mais desenvolvido o capital, mais extenso o mercado pelo qual ele circula, (...) a órbita espacial de sua circulação, mais ele se esforça simultaneamente em direção a uma ainda maior ampliação do mercado e a uma maior anulação do espaço pelo tempo.

Olhemos agora para a onipresença das redes virtuais na vida atual, alimentando o consumismo e radicalizando a transformação de informações, dados e notícias em elementos imediatamente remuneráveis. Faz muito sentido, certo?

Mas para a maioria de nós, o tempo que falta para perceber isso também tira o espaço para nos livrarmos disso.

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