5 de julho de 2018

Contra fascistas ou fascistoides, a luta é uma só

No artigo “Cinco lições de história para antifascistas”, o historiador Mark Bray diz ser necessário reconhecer a relação entre dois dos muitos registros do antifascismo: o analítico e o moral.

O registro analítico refere-se a “definições e interpretações do fascismo ancoradas na história”.  O registro moral entra “em cena quando lentes antifascistas são aplicadas a fenômenos que podem não ser fascistas, tecnicamente falando, mas que são fascistoides”.

Por exemplo:

...os Panteras Negras estavam errados ao chamar os policiais que mataram negros impunemente de “porcos fascistas”, mesmo que eles não estivessem defendendo pessoalmente crenças fascistas ou mesmo que o governo norte-americano não fosse literalmente fascista? Em uma manifestação antifascista em Madri, vi uma bandeira do arco-íris com o lema “homofobia é fascismo”. Será que a existência de homofóbicos não fascistas invalida esse argumento?

Nesses casos, o termo “fascismo”, diz Bray, se tornou:

...um significante moral que aqueles que lutam contra diversos tipos de opressão usam para enfatizar a ferocidade de seus inimigos políticos e os elementos de continuidade que eles compartilham com o fascismo histórico. A Espanha de Franco pode ter sido antes um regime militar católico tradicionalista do que um fascismo propriamente dito, mas tais diferenças tiveram pouca importância para quem foi perseguido pela Guarda Civil.

É por isso que:

Embora seja verdade que o epíteto “fascista” perca parte da força se aplicado de forma muito difusa, um elemento fundamental do antifascismo é promover a organização contra políticas fascistas e contra políticas fascistoides, em solidariedade a todos aqueles que sofrem e lutam. Questões conceituais deveriam influenciar nossas estratégias e táticas, não nossa solidariedade.

Perfeito!

Leia também: O fascismo como palavrão

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