2 de julho de 2018

Eleições: novos nomes para a velha dominação

Nos anos 1980, quando uma chapa concorrente em eleições sindicais trazia a palavra “renovação” em seu nome era quase certo que fosse composta por pelegos. Alguns nomes novos serviam de fachada para velhas práticas sindicais.

Na política eleitoral nunca foi diferente. Mas, ultimamente, renovou-se a moda de apresentar nomes de fora da vida partidária e da política tradicional como solução milagrosa.

Um recente estudo feito pelos pesquisadores Eduardo Cavaliere e Otavio Miranda mostra que nada é mais falso. Divulgado pela Folha em 17/06/2018, o levantamento mostra, por exemplo, que 75% dos deputados federais não ultrapassam o segundo mandato.

A título de comparação, em 2014, 53% dos deputados federais brasileiros foram reeleitos. Nos Estados Unidos, foram 95%; Inglaterra, 90%; Espanha, 88% e Canadá, 72%.

Talvez, fosse interessante acrescentar a esses dados, as conclusões de uma pesquisa da Universidade de Brasília, divulgado em 03/02/2016 pelo portal “Congresso em Foco”.

Segundo o estudo, metade dos deputados federais eleitos em 2014 tinham parentes com atuação política. Além disso, apenas 15% dos deputados com até 35 anos que chegaram à Câmara Federal não receberam o “empurrãozinho de um sobrenome político”.

Ou seja, mesmo quando há alguma renovação na política institucional, ela fica bastante restrita aos laços sanguíneos de algumas poucas e poderosas famílias do País. São os mesmos clãs que, há séculos, não hesitam em derramar o sangue de integrantes dos movimentos sociais que tentam se opor a seus enormes privilégios.  

Tudo isso mostra para as forças de esquerda que limitar sua participação política à via institucional somente contribui para reciclar velhas estruturas de exploração e opressão.

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