Doses maiores

23 de maio de 2020

O covid mata cada vez mais. A polícia também

Latuff
João Pedro Matos Pinto, 14 anos, foi morto em uma ação policial, em São Gonçalo, município pobre da Grande Rio. Foram disparados 72 tiros contra a casa onde estava brincando com seus primos.

No dia seguinte, João Vitor da Rocha, 18 anos, voluntário no trabalho de prevenção contra a Covid-19 em Cidade de Deus, foi morto durante uma operação policial.

Mas não são casos isolados. Segundo Pablo Nunes, coordenador da Rede Observatórios de Segurança:"As operações e as mortes decorrentes de intervenção policial estão se intensificando. Os escândalos políticos e a pandemia estão desviando a atenção da sociedade para essa escalada de violência. Isso é grave".

O depoimento está em recente artigo de Flávia Oliveira, no Globo. É nele também que estão outros casos atribuídos a forças policiais, como a chacina de 13 pessoas no Complexo do Alemão e o assassinato de Iago César dos Reis Gonzaga, de 21 anos, torturado e morto na Favela de Acari. Todos ocorridas em abril passado.

Flávia apresenta ainda os seguintes números também relativos a abril: 30 homicídios em operações policiais, 11 a mais que um ano antes. Nesse mesmo mês, em 19 dias, a polícia matou 35, contra 30 durante todo o mês de maio de 2019.

Em 2018, incluindo os dez meses de intervenção federal, as forças de segurança mataram 1.534 pessoas. Em 2019, foram 1.814 homicídios, recorde da série histórica iniciada em 1991. Em abril e maio deste ano, o total de vítimas fatais saltou 57% e 16%, respectivamente.

As mortes não param nas favelas e bairros pobres. E estão longe de serem provocadas apenas pela pandemia.

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