segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Petrobras e a socialização dos prejuízos

Em 24 de setembro, Lula comemorou o lançamento de uma oferta pública de ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo. O próprio presidente admite que aquele que já foi o bicho-papão dos capitalistas agora patrocina a maior operação de capitalização já feita. Também festejou o aumento da participação do governo na empresa.

O fato é que a venda de ações é uma invenção capitalista para socializar prejuízos. Através dela, as empresas arrecadam imensos recursos para seus investimentos. Se a empresa der lucros, os acionistas recebem parte deles. No caso de prejuízo, raramente os controladores das empresas são afetados. Em geral, sobra para os pequenos investidores.

Além disso, há empresas que costumam usar ações para pagar parte dos salários de seus trabalhadores. E em muitos países, o mercado de ações funciona como poupança e fundo de aposentadoria para milhões de pessoas.

Em 2002, a quebra das empresas Enron e World.com foi um exemplo dramático. Seus trabalhadores não ficaram apenas sem emprego. Suas economias e fundos de aposentadoria viraram pó junto com os papéis das empresas que eram seu lastro. Casos parecidos ocorreram na crise de 2008.

Por fim, as grandes corporações podem colocar à venda valores muitas vezes maiores que sua capacidade de remunerar os investidores. Se algo dá errado, as toneladas de prejuízo caem na cabeça de quem está embaixo.

A Petrobras é uma empresa sólida. Mas os enormes recursos que está buscando são para explorar a camada pré-sal. Um investimento bastante arriscado e de resultados incertos. Em outras palavras, o que o governo Lula está comemorando é a exposição dos cofres públicos a enormes riscos.

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