quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os mineiros chilenos, entre abutres e predadores

Desde 5 de agosto, 33 trabalhadores estão presos a 700 metros de profundidade em uma mina, no Chile. O resgate pode levar quatro meses. Câmeras de vídeo, no entanto, já chegaram aos mineiros soterrados. A operação pode se transformar numa espécie de Big Brother.

O caso lembra um filme de Billy Wilder, de 1951. Em “A montanha dos sete abrutes”, Kirk Douglas interpreta um repórter fracassado, numa cidade do interior. É chamado para cobrir um acidente. Um morador está preso em uma mina abandonada. O resgate parece difícil. A notícia vira assunto nacional. A verdade é que o jornalista está dificultando o salvamento para fazer sucesso.

Não é possível dizer que o mesmo vem ocorrendo no Chile. Por outro lado, TVs e rádios devem ter adorado a situação. Garantia de enorme audiência por vários meses. São os abutres da mídia em ação.

Mas aves de rapina dependem de predadores para sobreviver. No caso, são os proprietários das minas. Segundo denúncias dos sindicatos, eles economizam no item segurança. E contam com a cumplicidade e omissão do governo chileno. O órgão encarregado da fiscalização é dominado pelas mineradoras. Nada muito diferente das agências reguladoras brasileiras.

Acidentes como este já poderiam ser evitados. Há muito tempo, robôs são enviados para explorar outros planetas. Por que não utilizar trabalho totalmente automatizado no subsolo da Terra? Basicamente, porque custa caro.

Além de ser barato, o trabalho humano coloca à disposição do patrão a capacidade cerebral dos trabalhadores sem custos adicionais. É assim que funciona um sistema que só serve para predadores e abutres.

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