quarta-feira, 5 de junho de 2013

A droga corre nas veias do sistema bancário

No início de abril, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos revelou detalhes sobre mais de 120 mil empresas anônimas com sedes em paraísos fiscais. Por trás delas, gente como um ex-primeiro-ministro da Geórgia, o tesoureiro da campanha eleitoral do presidente da França e a filha de um ex-ditador das Filipinas.

Em 03/06, o Valor publicou um artigo sobre o levantamento. Em “Segredos e mentiras financeiras” Gavin Hayman destacou um detalhe que recebeu pouca atenção: lavagem de dinheiro e operações financeiras ilegais não ocorrem apenas em paraísos fiscais. Ao contrário, Estados Unidos, Reino Unido e outros centros financeiros importantes estão no centro dessas ilegalidades.

Na verdade, a maioria das empresas citadas pelo Consórcio estava registrada nos Estados Unidos. Para citar apenas um caso, em 2012, foi revelado que o HSBC permitiu que os cartéis de drogas mexicanos lavassem centenas de milhões de dólares por meio do sistema financeiro estadunidense.

Em 29/05, Gil Alessi publicou a reportagem “Contra o tráfico, investigar bancos é mais importante do que aumentar penas, dizem especialistas”. A matéria tratava das propostas de endurecimento das leis contra o tráfico de drogas que estão no Congresso Nacional.

Especialistas duvidam da eficácia de medidas desse tipo. Afinal, dados da ONU falam em mais de 400 bilhões de dólares anuais movimentados pelo narcotráfico. Todo esse dinheiro só pode circular por um caminho: o sistema financeiro.

Em abril, David Nutt, ex-assessor especial contra drogas do governo britânico, afirmou que a crise financeira foi causada por banqueiros que usavam muita cocaína. Ele quase acertou. O que realmente enlouquece o planeta é o capital que a ilegalidade das drogas gera. 

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