quarta-feira, 18 de junho de 2014

A prosa e a poesia do futebol, segundo Pasolini

Logo após o tricampeonato brasileiro no México, Pier Paolo Pasolini escreveu um inspirado artigo sobre futebol. O cineasta italiano começa dizendo que o “futebol que exprime mais gols é o mais poético”. Portanto, o gol é um elemento poético por excelência. “O drible é também essencialmente poético (embora nem sempre, como a ação do gol)”, diz ele.

“A retranca e a triangulação é futebol de prosa”, diz Pasolini. “Baseia-se na sintaxe, isto é, no jogo coletivo e organizado, na execução racional do código”. “Em suma, o momento poético do futebol parece ser (como sempre) o momento individualista (drible e gol; ou passe inspirado).”

Mas, de vez em quando essa prosa é interrompida e surgem, de repente, “dois versos fulgurantes”. O bastante para cometer um gol. Este pode vir acompanhado do “passe inspirado” ou não, mas é sempre poético. Daí, a inevitável conclusão:
Quem são os melhores dribladores do mundo e os melhores fazedores de gols? Os brasileiros. Portanto o futebol deles é um futebol de poesia - e, de fato, está todo centrado no drible e no gol.
Pasolini afirma que não pretende fazer distinção de valor. No caso da final mexicana entre Brasil e Itália, a poesia venceu a prosa. Mas isso não provaria a necessária superioridade do jogo poético. Até porque a própria prosa não pode dispensar a poesia dos gols.

Tudo isso para fazer pensar no que disse Tostão em sua coluna de hoje nos jornais. O alto nível da Copa do Mundo deve-se à presença de jogadores do melhor futebol no mundo. Aquele jogado na Europa.


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Um comentário:

  1. Impossível não comparar com o jogo de ontem entre México e Brasil. Ainda bem que o grande Pasolini não está vivo para ver o jogo de ontem. Aquilo não foi prosa muito menos poesia. O que seria? Um algorítimo mal construído?

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