terça-feira, 10 de junho de 2014

O animal humano sacrifica sua própria prole

Maria Helena Moreira Alves, professora aposentada da UERJ, acaba de lançar o livro “Vivendo no fogo cruzado”. A obra estuda as consequências da instalação das Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em favelas cariocas.

Em maio, ela concedeu entrevista à revista “Poli”, da Escola José Venâncio, da Fiocruz. Entre muitas outras informações importantes, Maria Helena revela, por exemplo, que as UPPs se inspiraram em operações do exército estadunidense na Guerra do Vietnã.

Perguntada sobre as recentes manifestações de repúdio das comunidades pobres contra as UPPs, a professora afirmou: “as pessoas reagem quando começam a perder seus filhos”. Ainda que este não seja o único fator, certamente pesa.

Enquanto isso, muito longe dessa realidade e do outro lado do Atlântico, as coisas não estão muito melhores. “Medidas de austeridade na Europa levam 800 mil crianças à pobreza, aponta OIT”. Este é o título de matéria publicada no site Opera Mundi, em 03/06.

Trata-se de conclusão do Relatório sobre Proteção Social no Mundo 2014/2015. Seus números dizem que, em 2012, 123 milhões de pessoas da União Europeia estavam em risco de pobreza ou exclusão social, incluindo as 800 mil crianças que passaram a viver na pobreza desde 2008.

Na Roma Antiga, os proletários eram aqueles que nada tinham de seu a não ser sua prole. Marx afirmou que os modernos proletários “nada têm a perder a não ser suas correntes”. Por isso, deveriam conquistar o mundo.

De qualquer forma, o animal humano vai se especializando no sacrifício de suas próprias crias. Na renúncia a seu próprio futuro. Cada vez mais urgente que correntes sejam rompidas.

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