quarta-feira, 11 de junho de 2014

Os bolcheviques contra a família e por liberdade sexual

A Revolução Bolchevique também revolucionou as relações familiares. É o que mostra o livro “As Mulheres, O Estado e Revolução”, de Wendy Z. Goldman.

Em 1918, foi aprovado um novo código legal sobre a família. Era a legislação mais avançada da época. Aboliu a inferioridade legal das mulheres e as igualou juridicamente aos homens. Extinguiu a obrigatoriedade do casamento religioso, mantendo apenas seu registro para efeitos estatísticos. Também facilitou os registros de nascimento e morte.

Para efetivar o divórcio bastava o pedido de um dos cônjuges, sem necessidade de maiores motivações. Foi ampliada a garantia do pagamento de pensões alimentícias. Tudo isso visava livrar as mulheres da forte opressão e exploração machistas. Ao fazer isso, abriam possibilidades de maior liberdade sexual.

A grande líder revolucionária Alexandra Kollontai dizia que o ato sexual deveria ser considerado tão natural como saciar a fome ou a sede. Lênin manifestou ligeira discordância. É preciso matar a sede, disse ele, mas é muito diferente fazer isso bebendo de um copo ou lambendo uma poça, por exemplo.

É possível enxergar nessa observação o conservadorismo moral de Lênin. Mas também pode ser uma forma de lembrar que a sexualidade humana enfrenta preconceitos muito maiores que o simples ato de se alimentar.

Talvez, Lênin antecipasse as dificuldades que viriam. De fato, a família voltaria a ser célula reprodutora da opressão e exploração femininas nos anos 1930. Imposição da situação histórica, em que a revolução foi cercada e derrotada.

A vitória coube ao conservadorismo stalinista, que voltou a beber na mesma poça suja do conservadorismo burguês.

Leia também: Os bolcheviques queriam o fim da família para libertar as mulheres

3 comentários:

  1. Então tá, devemos beber em qual quer poça suja? E as doenças? O mundo é uma pureza.

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  2. OK, todos conhecemos a imposição stalinista da família em detrimento de um relacionamento livre. Agora, não consegui entender perfeitamente as frases citadas no texto da Alexandra Kollontai (não conheço) e do Lenin (dispensa apresentações). A frase da Kollontai me passou uma ideia de banalização e simplificação do sexo. Entendo que a relação sexual não é algo tão natural como beber ou comer. Qto a frase do Lenin, acho que não entendi nada mesmo. Se ele estiver se referindo à diferença entre o copo e a poça como uma possibilidade de escolha, acho correto. Embora disse que o Lenin dispensava apresentações, realmente me ocorreu que não conheço suas posições morais. Não estranharia, assim como é muito comum nos militantes comunistas, ele ter posições conservadoras. Depois você me conta. Mas, sendo ele um conservador, pelo menos penso que teve atitudes muito progressistas. São muito conhecidas as transformações e avanços nas liberdades sexuais durante seu governo. Teria ele uma posição semelhante ao Trotsky em relação às artes, no seu livro "Literatura e Revolução", em que dizia que deveria dar liberdade total às artes, pois existia o Exército Vermelho para garantir a revolução?

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  3. É, Marião. O sentido da observação do Lenin me parece ser este mesmo. Sexo pode ser algo natural, mas não como beber água. É muito mais carregado de simbolismos. Então não adianta achar que a liberdade sexual pode ser decretada, por exemplo. Ainda mais num país com um enorme campesinato com suas tradições conservadores.

    A insinuação de que Lenin seria conservador está no livro da Wendy. Ela fala na “moral vitoriana” do Lenin. Mas não sei se procede. Se descobrir, te falo.

    Quanto à atitude dele em relação á arte, acho que li em algum lugar que não simpatizava com a arte contemporânea, mas não teria defendido o controle estatal na área. Deve ser a mesma atitude que defendia em relação à religião, que ele considerava ser uma questão individual, não de Estado.

    Tem mais detalhes sobre isso nesta pílula: http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2010/09/lenin-em-defesa-da-liberdade-religiosa.html

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