segunda-feira, 9 de junho de 2014

Os bolcheviques queriam o fim da família para libertar as mulheres

A dupla jornada de trabalho é um fator fundamental para a exploração e opressão sofridas por quase todas as mulheres. Como saída para essa situação, é costume defender uma divisão mais justa dos afazeres domésticos entre homens e mulheres.

Mas o problema somente será resolvido fora da família. Ou melhor, com o fim dela, tal como a conhecemos hoje. A questão é brilhantemente abordada num livro recentemente lançado pela Boitempo. É “As Mulheres, o Estado e a Revolução”, da historiadora norte-americana Wendy Z. Goldman.

Segundo sua autora, os bolcheviques defendiam a construção de uma sociedade em que o trabalho doméstico seria transferido para a esfera pública. As tarefas executadas por milhões de mulheres em suas casas seriam feitos por trabalhadores em creches e restaurantes e lavanderias coletivos.

Lênin considerava o trabalho doméstico o mais improdutivo, selvagem e árduo que uma mulher pode fazer. Para ele, a emancipação feminina deveria incluir não só a igualdade jurídica, mas a transformação de todo o trabalho doméstico em trabalho socializado. Com isso o papel social da família seria esvaziado. Ela “definharia”.

Foi o que o governo dos sovietes começou a fazer em 1918. Mas logo depois, a Revolução foi derrotada pelo terrível cerco das potências europeias. Para reerguer o país destruído foram restaurados os princípios da economia de mercado. Sob a gerência ditatorial de Stálin, várias conquistas foram revogadas. Em meados dos anos 1930, a família voltaria a ser fator importante da reprodução econômica. E de exploração e opressão das mulheres.

O livro de Wendy detalha todo este processo. Voltaremos a falar dele.

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