quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Eleições: no máximo, mudarão as moscas

O entrevistado do programa “Roda Viva” de 18/08 foi Mauro Paulino, diretor do Datafolha. Ele forneceu algumas informações que merecem atenção.

Com a entrada de Marina Silva na disputa, os votos brancos e nulos deixaram de ser opção para cerca de 30% dos pesquisados para voltar aos tradicionais 10%.

A identificação partidária despencou nestas eleições. Mais de 60% dos pesquisados não têm qualquer preferência desse tipo. Um recorde histórico, diz Paulino.

O desejo de mudanças disparou, com quase 70% manifestando esta disposição. Mas vários candidatos majoritários disputam a reeleição como favoritos nas pesquisas.

Para o diretor do Datafolha, alianças consideradas incoerentes não preocupam o eleitor. Muitas vezes, quem vota mistura candidaturas com consideráveis divergências ideológicas ou programáticas entre si.

Estes dados permitem tirar algumas conclusões.

Nada indica que a migração de votos nulos e brancos para Marina Silva seja uma opção programática clara. A nova candidata do PSB não tem conseguido apresentar muito mais que uma vaga aparência de renovação.

A importância dos partidos declina junto com a relevância dos programas e das propostas, que poderiam revelar mais facilmente os interesses de classe por trás da disputa eleitoral.

O elevado desejo de mudanças se mantém nos limites estreitos das alternativas dominantes.

Esses elementos apontam para um papel crescente do individualismo despolitizado na definição dos resultados eleitorais. Esta tendência já vinha imperando no plano econômico e social. Mostra-se cada vez mais forte também na política institucional. Produto de décadas de hegemonia neoliberal.  

Talvez, até haja alguma renovação. Mas com ideologias, programas e propostas em segundo plano, a grande tendência é mudarem apenas as moscas.

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