15 de fevereiro de 2018

A febre amarela e as barragens do capital

O marxista húngaro George Lukács dava grande importância à ideia de “afastamento das barreiras naturais”. O conceito foi criado por Marx para descrever um traço essencial da espécie humana.

O surgimento da agricultura e da criação de animais, por exemplo, permitiu que nos livrássemos da obrigação de nos deslocar atrás de bichos e plantas para nos alimentar. Desse modo, afastamos a barreira natural que nos condenava ao nomadismo.

O bicho humano é biologicamente incapaz de voar. Demorou, mas essa limitação natural também foi afastada.

O problema é que forçar os limites naturais também pode nos aproximar de situações perigosas para nossa sobrevivência. É o que mostram os inúmeros desastres ecológicos na história da humanidade.

Mas as coisas começaram a ficar perigosas mesmo quando a Revolução Industrial levou esse processo a um ritmo, alcance e intensidade inéditos. Desde então, passamos a destruir barreiras naturais pelo planeta todo na insana busca por lucros.

Um exemplo é o elevado nível de desmatamento para exploração de madeira e desenvolvimento da agropecuária destruidora. As consequências não são apenas climáticas.

Tudo indica que a destruição de matas e florestas vem tirando diversas patologias de seu isolamento original. Este pode ser o caso do atual surto de febre amarela no País.

Mas são fortes as suspeitas de que a terrível destruição causada pelo acidente da Samarco ocorrido em 2015 também esteja contribuindo.

Além da negligência criminosa dos governos, trata-se de uma opção civilizacional em favor de poderosos interesses econômicos.

Ou seja, se afastar as barreiras naturais faz parte de nossa condição humana, destruir as barragens do capital tornou-se fundamental para a nossa sobrevivência.

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