1 de fevereiro de 2018

Muito a aprender com os mestres indígenas

Em “1499: O Brasil antes de Cabral”, Reinaldo José Lopes procura mostrar toda a riqueza cultural, complexidade social e sabedoria dos primeiros povos a chegar às Américas. 

Mas o livro não alimenta visões ingênuas sobre uma pretensa relação totalmente harmoniosa entre os indígenas e a natureza. É o que Lopes diz, por exemplo, neste trecho:

O mundo está cheio de exemplos de degradação ambiental praticada por grupos indígenas sem nenhuma “ajuda” de invasores ocidentais (que o digam os moas, aves gigantescas impiedosamente transformadas em churrasco até a extinção pelos maoris da Nova Zelândia).

Mas isso não parece valer para os povos indígenas daqueles tempos no atual Pará:

De alguma maneira, os xinguanos e os habitantes primevos de Marajó, de Altamira e de outros lugares encontraram maneiras de transformar o ambiente que ocuparam — e que exploraram de forma relativamente intensa e planejada, aliás — sem bagunçar tudo, diferentemente do que o Estado e a iniciativa privada da República Federativa do Brasil têm feito desde o último século.

Por isso, o autor, afirma achar “difícil que não tenhamos nada a aprender com eles”.

O livro concentra-se no passado distante, mas os povos indígenas continuam a nos dar lições. Um exemplo é o que mostra estudo sobre desmatamento na Amazônia divulgado em novembro de 2017.

Segundo o levantamento, 83% do desmatamento na Amazônia, entre 2001 e 2015, ocorreu fora dos territórios indígenas e áreas protegidas. Ou seja, preservar os territórios indígenas é essencial para eles e mais ainda para o planeta.

Por isso é preciso fortalecer a luta dos indígenas e tratá-los como aquilo que são: nossos mestres!

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