28 de fevereiro de 2018

O Alto Xingu e as utopias possíveis

O Alto Xingu é uma área do nordeste do Mato Grosso que integra o Parque Indígena do Xingu. Segundo o livro “1499: O Brasil antes de Cabral”, de Reinaldo José Lopes, “três dos grandes troncos linguísticos da América do Sul estão representados lado a lado nesse complexo”.

Segundo a autor, seria como se um país equivalente a metade da Suíça:

...abrigasse ao mesmo tempo falantes do inglês e do português (línguas indo-europeias), do hebraico e do siríaco (idiomas semitas), do zulu e do suaíli (línguas africanas da família nígero-congolesa) — e com um bolsão de falantes de basco, só de lambuja.

E nem por isso, diz ele, ninguém ali se odeia ou sai matando uns aos outros, como acontece em muitas regiões multiétnicas pelo mundo.

No passado, a região foi ainda mais complexa. Entre os séculos 13 e 16, havia vilas dez vezes maiores que as aldeias atuais, ocupando uma área de uns 50 hectares. Em seu auge, o lugar teria chegado a mais de 50 mil habitantes. Mais ou menos, a população de Lisboa no começo do século 16.

Em 1723, o bandeirante paulista Pires de Campos escreveu que os xinguanos eram:

...muito asseados e perfeitos em tudo que até as suas estradas fazem muito direitas e largas, e as conservam tão limpas e consertadas que se lhe não achará nem uma folha.

Seriam cidades esses lugares? Sim, diz Lopes:

...desde que se imagine um tipo de urbanismo “espalhado”, em que existe uma transição gradual e suave entre áreas densamente habitadas, áreas rurais e regiões florestadas.

Ótima dica para quem procura referências para utopias possíveis.

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