quarta-feira, 2 de maio de 2018

Os culpados pelo incêndio de 1º de Maio

Em 25/04/2018, Ermínia Maricato e Ana Gabriela Akaishi publicaram artigo no portal Outras Palavras sobre a concentração fundiária na maior cidade do País.

“São Paulo é uma das poucas cidades no Brasil (se não a única) a abrir publicamente o cadastro imobiliário fiscal do IPTU”, dizem elas. Trata-se do Geosampa, disponível desde maio de 2016.

São 3,3 milhões registros imobiliários. Mas apenas 1% dos donos de imóveis concentra 45% do valor imobiliário da cidade. São 820 mil imóveis valendo R$ 749 bilhões em nome de 22,4 mil proprietários.

O maior proprietário é o empresário João Carlos Di Genio, fundador do Grupo Objetivo e da Unip, com mais de R$ 1 bilhão em imóveis. O segundo é o empresário Hugo Eneas Salomone, da Construtora e Imobiliária Savoy, com pelo menos 180 mil m2. Dentre eles, a Galeria Olido, grande parte do Conjunto Nacional e os shoppings Aricanduva, Central Plaza e Interlagos.

Em terceiro lugar, a família Maluf, com 19 imóveis valendo quase R$ 450 milhões.

Mas também merece destaque o desembargador José Antônio de Paula Santos Neto, proprietário de 60 imóveis em bairros como Perdizes, Pacaembu, Higienópolis e Morumbi. Patrimônio incompatível com seu salário de R$ 30 mil, mais auxílio-moradia.

Por fim, as autoras citam levantamento da ONG Transparência Internacional, em que 3,4 mil imóveis paulistanos avaliados em R$ 8,5 bilhões estão ou estiveram em nome de empresas registradas em países como Estados Unidos, Panamá, Suíça e Uruguai.

Nenhum destes proprietários acendeu o fósforo no centro de São Paulo, em 1º de Maio. Mas todos vêm encharcando a vida urbana da cidade com material altamente inflamável.

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