24 de maio de 2018

Quando um neoliberal está certo sobre Marx e a China

Marcos Troyjo é um neoliberal de carteirinha. Em sua coluna na Folha, de 09/05/2018, ele comentou uma sessão especial do Parlamento Chinês. Era 5 de maio e os parlamentares homenageavam os 200 anos de nascimento de Karl Marx.

Para Troyjo, as honrarias dispensadas a Marx eram totalmente descabidas. Afinal, diz ele:

Muito do êxito chinês nessas últimas quatro décadas não se conseguiu com o distanciamento do núcleo das economias capitalistas centrais. Bem ao contrário, foi com o incremento do acesso chinês a esses mercados, mediante a outorga que EUA e Europa ofereceram a exportações chinesas como oriundas de nação mais favorecida, que o país logrou alcançar o presente ranking de maior nação comerciante do planeta. Além disso, por anos a fio os chineses mantiveram artificialmente achatados os salários —como fatia do PIB— de modo a acrescentar ainda mais atratividade a suas exportações.

Ainda, ao contrário que sugeria Marx, a China coibiu —e continua a coibir— a associação independente de trabalhadores por meio de sindicatos. E o sistema de gestão do Partido Comunista nada tem que ver com uma expressão “administrativa” da representação dos trabalhadores. Trata-se muito mais de estrutura assemelhada à burocracia meritocrática e funcional do mandarinato das dinastias imperiais.

E para demonstrar que “o perfil contemporâneo da China é ainda mais distante de preceitos marxistas”, o colunista lembra que “Xi Jinping é hoje o principal defensor da globalização econômica”. Globalização neoliberal, na verdade.

Triste ter que concordar com alguém de direita. Mas o que fazer quando os argumentos apresentados demonstram um conhecimento da obra de Marx maior que o de muitos de seus supostos seguidores?

Leia também:
A China e os delírios que a cercam        

2 comentários:

  1. Fato mesmo!
    O pior é que tem um setor da esquerda que tem reivindicado o "modelo chinês", por exemplo a candidata "Manu".
    Haja paciência.

    abraço
    Bruno

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    1. Sim, mas, infelizmente, como você disse, ela é só um exemplo entre muitos na esquerda.

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