terça-feira, 8 de maio de 2018

Limpando a barra de Gandhi

No livro “A Não Violência – Uma história fora do mito”, de Domenico Losurdo, ficamos sabendo que, no final do século 19, Gandhi afirmou, por exemplo, que não era possível confundir o povo indiano, de raça ariana, com negros ou zulus.

Mas em 1919, em meio às celebrações pela vitória na Primeira Guerra, o poder colonial promove o massacre na cidade de Amritsar, na Índia. Seus moradores haviam se rebelado contra o poder colonial sem pegar em armas. Mesmo assim, centenas foram mortos e os sobreviventes sofreram terrível humilhação racial. São todos obrigados a entrar e sair de casa andando de quatro.

Em uma carta de 23 de novembro de 1920, Gandhi responde:

Pode ser que o temperamento inglês não se adapte a um estado de perfeita igualdade com as raças negras e de cor. Nesse caso, os ingleses devem ser obrigados a se retirar da Índia.

E arremata: “Renuncio a fazer distinções; não reconheço superioridade alguma, nem mesmo aos indianos. Temos as mesmas virtudes e os mesmos vícios”.

Já em 1942, em plena Segunda Guerra ele questiona:

Os Aliados não têm nenhum direito de proclamar sua causa moralmente superior à dos nazistas, enquanto mantiverem prisioneira a parte mais justa (...) [da humanidade] e uma das mais antigas nações da terra.

Ele ainda oferece ajuda ao esforço bélico britânico, mas começa a radicalizar sua luta pela emancipação nacional. Sempre por meio da resistência não-violenta que levará dezenas de milhares de indianos a aguentarem toda e qualquer repressão sem esboçar qualquer reação. E isso incluía mães oferecendo a cabeça de suas crianças ao porrete das forças policiais.

Continua...

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