terça-feira, 27 de março de 2012

Tentando apalpar capital imaterial

Um dos conceitos mais discutidos nos últimos anos tem sido o de “capital imaterial”. Normal. Tem tudo a ver com as atuais formas de funcionamento do capitalismo. Mas há quem o considere uma negação da ideia marxista de capital. Como se esta fosse sinônimo de materialidade.

Em “O Capital” Marx não cansa de repetir: "o capital não é uma coisa, mas uma relação social entre pessoas, efetivada através de coisas". Ou seja, material mesmo é a aparência do capital. Felizmente, há quem esteja tentando desfazer toda essa confusão.

É o caso do sociólogo Sílvio Camargo. Autor de dois livros sobre o tema, ele concedeu esclarecedora entrevista à IHU On-Line. Cabe destacar alguns trechos interessantes. Sobre a tão falada comunicação em rede, ele diz:
A contradição está em que a subjetividade da sociedade em rede se constitui também como uma base real de resistência ao capital; basta pensarmos na maneira pela qual os jovens hoje escutam música, compartilhando arquivos sem pagar por isso. De outro lado, o tipo de música que se escuta, ou os bens e experiências culturais compartilhados pela maioria dessas mesmas subjetividades trazem em sua forma estética as mesmas características de mercadoria da etapa anterior do capitalismo, tornando os indivíduos ofuscados diante um capitalismo que traz, sempre, a marca da dominação. Também nesse sentido, o capitalismo tardio é o advento do absolutamente novo convivendo com as marcas do passado, da modernidade.
(...)
Assumir a plausibilidade histórica de noções como trabalho imaterial e pós-modernidade não significa negar a existência de classes sociais, exploração e injustiça. Pelo contrário, indica percebermos que a dominação capitalista nunca foi tão intensa, e pensar qualquer projeto emancipatório nesse contexto depende de uma apreensão lúcida das transformações reais, objetivas, que se efetivam na História, outra das lições da tradição dialética.
O estudioso tem posições bem mais polêmicas em relação à tradição marxista. É o caso do abandono da teoria do valor-trabalho. Mas a disposição de defender um projeto de libertação humana é muito bem vinda. Vamos tateando...

Vale a pena ler a íntegra da entrevista.

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